|
|
|
Na certidão de nascimento de Zazo consta a expressão “nascido no Distrito Federal”. É que em 15 de abril de 1960, o Rio de Janeiro vivia seus últimos dias de DF. O pai coloca-lhe o nome bíblico de Eleazar (Deus ajudou), mas a irmã Eliane, na época com dois anos, não consegue pronunciar e diz “Zazo”, apelido familiar que vai marcar sua trajetória pra sempre. O ambiente em casa é extremamente musical. O pai toca piano nos cultos da Igreja Batista em Acari, subúrbio carioca. A mãe vive a cantarolar hinos tradicionais, às vezes assobiando, às vezes exagerando nas fermatas. A infância em Coelho Neto é regada a peladas de rua, campeonatos de botão, bandeirinha e muita música. O pai tem “encontro marcado com o jazz” toda quarta-feira pela Rádio MEC, às nove da noite, e faz questão que Zazo ouça jazz e blues. Naquela mesma época, extinta Abril Cultural publicava a coleção “Grandes Compositores da Música Universal”, apresentando Tchaikowsky, Beethoven, Chopin, e por aí vai. Ouvindo concertos de Vivaldi para flauta e orquestra, Zazo aprende a assobiar, inclusive imitando o trinado daquele instrumento. Isto acontece em 1968, ano turbulento em que a ditadura militar promulga o AI-5. São tempos de Geraldo Vandré e Taiguara nos festivais, tumultos nas ruas e “soldados armados, amados ou não” nas praças. Os anos 70, iniciados com o clima da vitória do Brasil na Copa do México trazem dias de paz armada. Enquanto o povo evita falar de política, Chico Buarque usa o pseudônimo Julinho de Adelaide para deixar nas emissoras de rádio suas mensagens de duplo sentido contra o governo militar. Enquanto isso, a Igreja Batista em Acari começa a viver um período musical efervescente. O que hoje seria tido como superado na época é de extrema importância na formação musical da geração de Zazo: a cantata jovem “Boas Novas” e “Celebração”, os LPs dos Vencedores por Cristo – “Se Eu Fosse Contar” e “Louvor”. Todas essas iniciativas musicais têm peso enorme na vida de Zazo, que aos 16 anos decide aprender violão com a única motivação de superar a enorme timidez que quase o impede de se relacionar com as pessoas. O aprendizado do violão acontece de forma não acadêmica – no colégio, com os rapazes mais velhos no fim da rua, com as revistinhas Vigu e informações visuais, isto é, olhando o que os outros fazem. Surge uma parceria com o amigo Robinson, dois anos mais velho, amante da Bossa Nova. É o momento dos acordes dissonantes, motivo de orgulho de todo jovem ou adolescente que soubesse executá-los. Movidos por essa “onda” (ainda que não aceita por quem não fosse músico), Zazo e Robinson montam uma parceria, compõem algumas canções e formam com outros dois adolescentes o grupo GREM (Gregory, Robinson, Eleazar e Márcio). Em 1978, superada mais da metade da timidez, Zazo passa no concurso da Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá, ficando naquela cidade nos anos de 78 e 79. Em 1980, vem para Brasília, onde se vê acolhido em família pela Igreja Batista Central de Taguatinga. É ali que conhece Doca, que na época formava dupla musical com a amiga Miriam. Zazo, Doca, Miriam, Hélio e Léa (irmãos de Miriam) formam um grupo vocal interessante, com arranjos feitos nas cordas do violão. A amizade de Zazo com Doca cresce e nunca mais se desfaz. Em 1983, eles se casam e passam a freqüentar os cultos da Terceira Igreja Batista do Plano Piloto, onde formam o grupo vocal “Louvor Ilimitado”, algo sem formação fixa (daí o nome Ilimitado). Em 1984, Zazo apresenta a peça “O Jovem José”, composta por ele desde 1978, em Guaratinguetá, até 1983, em Brasília, baseada na vida de José do Egito. Em 85, surge o Grupo Cântaro, do qual Zazo e Doca vão fazer parte durante praticamente todo o tempo de existência (85 a 90). Por essa época, os músicos evangélicos estão “a mil” e realizam a primeira e (um ano depois) a segunda Mostra de Música Popular Cristã de Brasília – momento em que músicos de valor mostram a cara. Gente como Ely Lima, Quico Fagundes, Rodrigo Bueno, Gláucia e Rogério (que vieram a formar o Estilo de Vida), João Inácio e Ranúzia, além de vários outros, a maioria deles acompanhada pela emergente Orquestra Cristã de Brasília, sob a regência de Joel Barbosa. É no ano de 86 que acontece a maior experiência de Zazo, a entrega definitiva de sua vida ao Senhor, apesar de todo tempo de igreja que precedera esse momento. O Cântaro apresenta um trabalho marcado pela brasilidade, com arranjos vocais e instrumentais ousados para a época, apresentando-se inclusive em espaços seculares como a Sala Funarte, Villa Lobos, Teatro de Arena da UnB e Parkshopping, além de locais semelhantes em São Paulo, Belém, Rio, Goiânia, etc, chegando a fazer uma viagem pelos EUA. No entanto, crises internas e dívidas levam o grupo a se desfazer. O final do Cântaro
é um período marcante na vida de Zazo, em que Deus atua de forma maravilhosa.
A canção O Jogo é pra Valer gravada no
CD Coisas de Amigo pelo Céu
na Boca corresponde a esse período, em que a vontade é de tocar violão
só por entretenimento. O volume de composições – que nunca chegou a ser
grande – diminui. Momento de parar e refletir. “Coincidentemente”, esse
momento é compartilhado com Marco e Denize, que já faziam parte da vida de
Zazo e Doca anteriormente. Coisa de amigo.
|