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Nascido em 21 de janeiro de 1964 - exatamente o ano do golpe militar que marcou a história recente do Brasil - Marco Fernando cresceu ao som das influências rítmicas de sua cidade natal, Recife. Desde menino, já se observava nele algum senso crítico que o levava a repudiar as formas de manipulação e de uso do meio de comunicação musical para “emburrecimento nacional”. Era afeito mais às letras. Lia poetas e textos da biblioteca particular de sua mãe, professora de línguas de origem latina, e se embevecia com eles. Amava as rimas ricas e as “pedras no caminho”. Seus pais ouviam os “hits” da época, principalmente, Roberto Carlos. Pela óbvia diferença entre o que pensava/lia e aquilo que ouvia, sua aproximação com a música só ocorreu alguns anos mais tarde ao deparar-se com uma “bolacha” que tocava uma coletânea de Chico Buarque de Holanda. Foi uma espécie de revelação: “a música poderia ser usada para se dizer alguma coisa importante!”. Já aos catorze anos, idade em que começa a compor com seu tio Horácio, Marco vai atrás do não óbvio e encontra uma veia latente de letrista. Ganha alguns prêmios como letrista em festivais que sua mãe considerava inadequados para sua idade. “Nunca fui, só ficava sabendo”. Ganha prêmio de compositor revelação no Estado de Pernambuco ainda fedelho: “não fui à premiação, acho que tinha aula, meu tio trouxe o diploma pra mim”. Entretanto, fortes mudanças estão em andamento. Aos quinze anos entrega sua vida a Jesus, recebendo-o como seu Senhor e Salvador. Não poderia haver melhor hora para começar a compor. Assim, os elementos que já existiam em sua consciência artística vão se juntando a uma fé que cresce a cada dia. “Motivos reais para compor nunca me faltaram”, decalara. No início dos anos 80, com amigos do meio cristão, entre eles o compositor e músico pernambucano Leon Neto, forma, em Recife, o grupo vocal Adelphos (amigo em grego). O grupo marcaria época na cidade. Nesse momento começa a se aperfeiçoar como instrumentista e músico: “nunca fui muito longe, mas, harmonicamente, dá pro gasto”. A criatividade sempre foi o seu forte, e orgulha-se de saber trabalhar sob pressão e a pedidos de amigos: “já fiz músicas pra casamentos, nascimentos de filhos e bodas de papelão”, brinca. Em 1983, Marco se transfere para Brasília, onde conhece Denize, tecladista de formação clássica e uma belíssima voz. Da amizade ao namoro, do namoro ao casamento, em 5 de agosto de 1989. Marco compõe e executa no violão; Denize interpreta na voz e/ou nos teclados. Mais tarde, eles formam o grupo Cantares, uma formação de cinco vozes femininas, das quais a de Denize é uma. No Cantares, os dois atuam como arranjadores. O Marco, além de arranjador faz violão base, e o grupo é essencialmente vocal. Em 1992, o grupo Cantares pára de atuar. Marco, porém, tem muitas composições, e o desejo de continuar trabalhando com a música ainda é imenso. É quando começa um novo intercâmbio com amigos antigos, dos anos 80 - Zazo e Doca. Esse intercâmbio é uma semente que vai germinar em 1997, com a formação do grupo Céu na Boca.
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