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Jeremias Gaspar, o nosso Jerry, nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de julho de 1968, de cara para a Avenida Brasil, no Hospital de Bonsucesso. A infância no Rio mistura diversão com trabalho. Afinal, toda criança precisa de entretenimento, mas algumas precisam ajudar no sustento da casa. Foi assim com o Jerry, que desde pequeno já adquiria experiências como virador*. As influências musicais, que se originam também daquela época, são as mais diversas. Em primeiro lugar, os pais, que dão a ele e aos seus irmãos as primeiras noções de violão, craviola (12 cordas), pandeiro e até acordeon! A mãe de Jerry guarda, desde aquela época, partituras de hinos antigos que nem mesmo a Harpa Cristã tem. Isto faz daqueles dias um tempo de muita cantoria com os filhos, criando-se no ambiente doméstico uma atmosfera constantemente musical. Além disso, rolam os cultos domésticos, a rádio Boas Novas, a Rádio Relógio Federal e a indefectível vitrola ligada o dia quase todo, ao som de Oséias de Paula, Shirley Carvalhaes e a dupla Edson & Telma. Mais tarde, o irmão mais velho, que toca numa banda em sua adolescência, traz outros elepês para a agulha da vitrola, as grandes novidades da época: Grupo Elo, Som Maior e Vencedores por Cristo. Mas algumas influências vêm de fora, especialmente de um boteco em frente à casa da família. Ali, a vitrola toca dia e noite as canções de Bebeto, Jorge Bem (que na época não era Benjor), Bezerra da Silva, Benito de Paula, Fuscão Preto e outros. Jerry revela hoje acreditar que seu ecletismo musical tenha origem nesse boteco. A influência musical definitiva, no entanto, vem mesmo de dentro de casa, principalmente nos cultos domésticos semanais. O grupo musical "feito em casa" tem a seguinte formação: o pai (violão e voz), a mãe (back vocal), o mano Israel (violão e voz), e Jerry (violão, voz, pandeiro, afunxé e outros instrumentos percussivos), com participação dos outros irmãos. Aos 18 anos (1986), o Virador vem para Brasília, com um sentimento de que a Capital Federal seria sua terra prometida. E foi. A vida brasiliense de Jerry começa na Assembléia de Deus da L-2 Sul (611). Ali ele conhece Lea. No final de 89, ele se transfere para a Igreja Nova Vida (412 Norte), onde é recebido com carinho pelo Bispo Antônio Costa. Jerry conta que houve, naquela época "um ano de tratamento espiritual", algo muito útil na vida de um servo de Deus. Tempo de ficar calado e ouvir, somente ouvir... De lá pra cá, os ministérios vêm surgindo, com prioridade à edificação de vidas: louvor e trabalho com os jovens. Em 92, casa-se com Lea. Dessa união, nasce em 96 Vitor Micael, e em 98, Davi Lucas. Em 97, Marco Fernando e Denize fazem uma proposta ao Jerry: juntar-se a eles, ao Zazo e à Doca e ser o quinto elemento* de um grupo vocal ainda sem nome com o objetivo de gravar um CD de música popular brasileira evangélica – composições do próprio grupo.
*Observações :
1ª) O Jerry, aos poucos, foi ficando conhecido entre os outros integrantes do grupo Céu na Boca, como "O Virador", significando apenas "trabalhador, pessoa que se arranja em termos de trabalho". O "quase-apelido" surgiu em razão das virações profissionais do Jerry em sua área de trabalho, a publicidade. As "viagens da imaginação" focalizam o Jerry como super-herói, com a frase: "isto é um trabalho para o Virador!"
2ª) Nas entrevistas do Céu na Boca, o Jerry sempre é citado como "o quinto elemento", pois quando entrou no grupo Marco & Denize, Zazo &Doca já vinham trabalhando alguns arranjos vocais e ensaiando. |