Doca
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                     DOCA

      Acredite se quiser, a Doca nasceu no dia primeiro de abril. O ano: 1962. O lugar é o celeiro da boa música brasileira: Minas Gerais, cidade de Nanuque. Diz-se que Nanuque é uma das últimas chances de ser mineiro, visto que fica tão perto da Bahia (Nova Viçosa)  ao mesmo tampo, tão perto do Espírito Santo (Montanha). Porém, circunstâncias fazem com que seus pais viajem para Brasília, nos tempos de Juscelino em que a cidade mal acabara de nascer. O pai, pastor batista, vive em Brasília com a família até o ano de 1970, quando eles se transferem para Belém do Pará onde se ministra o curso de Bacharel em Teologia do Seminário Equatorial. Curiosamente, dá-se aí a primeira experiência de Doca com o estúdio: a gravação do coral de crianças (filhos dos alunos do seminário), um "compacto simples" rotação 33 o qual "desapareceu no mundo", segundo a Doca sem ela nunca ter visto a cor. A música já era cristã, talvez no estilo mais tradicional que os anos 60 vivenciavam no ambiente evangélico brasileiro. Foi por aí que as notas vieram. Depois os acordes, as apresentações e, mais tarde, uma vocação incomum para o canto e a harmonização. Diz-se que nas igrejas batistas tradicionais, a harmonia vocal já nasce com a pessoa. É quase cem por cento correto. No caso de Doca, foi assim, inclusive com seu irmão (hoje, o maestro Heron Duarte). Nessas alturas, o encontro com Jesus já havia acontecido, e a música era para Doca um dos principais veículos de comunicação com Deus. Mas a Doca é mineira e jamais deixará de sê-lo. Na pré-adolescência, ela volta à sua cidade natal, Nanuque, onde se identifica com suas raízes culturais, justamente naquele clima fronteiriço, perto do mar de Nova Viçosa e as montanhas do Espírito Santo. A música vem da fazenda e tem a ver com modas de viola (vocês já ouviram lá na mata a cantoria / da passarada quando vai anoitecer...). No final dos anos 70, surgem o Boca Livre e o 14 Bis, que fazem exatamente o tipo de harmonia vocal com que a Doca tanto se identifica. É bem nessa época que ela volta pra Brasília. Neste ponto, percebe-se na Doca a influência musical de lugares diversos frutos de uma existência andarilha cujos detalhes (as andanças pelo país) não chegam a ser contados aqui. A experiência de cantar já é bem maior. Sua voz tem personalidade, ainda que jovem e as atuações musicais acontecem - a maior parte delas em coros em que se executam cantatas que variam de Bach a Buryl Red. Num nível mais popular, surgem grupos vocais que se fazem e desfazem com a rapidez do vento. No meio desse vendaval cultural, algo marcante é o lançamento do LP "De Vento em Popa", dos Vencedores por Cristo, um verdadeiro banho de MPB no meio cristão evangélico, recebido de braços abertos pelos jovens da época. Num nível mais comprometido, a dupla com a amiga Míriam - duas vozes e um violão - o violão era com a Miriam. 

         Em janeiro de 1980, conhece Zazo, que ouviu o dueto Miriam & Doca. Zazo se apaixona pela voz de Doca. Mais tarde, não só pela voz. Em 81, as aulas de música com o maestro David Junker, na Faculdade Teológica vêm fornecer a ela uma boa dose de técnica vocal, postura, exercícios e bagagem. Doca se casa com Zazo em 1983. No mesmo ano, formam um grupo de característica "voz e violão", com o nome Louvor Ilimitado - algo semelhante ao Cantares, embora não tão ousado nos arranjos. De 1986 a 1988, a Doca participa do grupo Cântaro ao lado de Zazo. O Cântaro chega a lançar uma fita intitulada "Princípio", a qual, posteriormente, acaba sendo prensada e virando disco. Em 1992, tempo em que tanto o Louvor Ilimitado quanto o Cântaro já haviam "falecido", tudo parecia convergir para o momento em que os músicos cristãos "penduram as chuteiras". Mas é justo aí que surge um intercâmbio de músicas e experiências vocais com Marco e Denize.