Denize
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  DENIZE MENEZES

    O Rio de Janeiro é o  pano de fundo para os primeiros dez anos da vida de Denize. Após o seu nascimento, em 1965, a família Lopes vive na capital da antiga Guanabara até o ano de 1975, quando se transfere para a capital federal. Os tempos de Rio, porém, são marcantes. As idas com a família à Primeira Igreja Batista, na rua Frei Caneca, onde se realizam seus primeiros solos vocais, ainda aos quatro anos; as aulas de piano clássico, aos oito. Começa na infância a formação musical. No início, muita partitura, o estilo tradicional. Mais tarde, Beethoven, Chopin, compositores e temas eruditos. Tal influência vai ficar marcada na musicalidade de Denize, em especial no perfeccionismo que ela irá desenvolver no trabalho com o popular. A adolescência em Brasília traz novas influências no que diz respeito a composição e encadeamento harmônico, a começar por Tom Jobim e Chico Buarque, pela valorização dos acordes dissonantes.  Aos 18 anos, vê surgir no meio cristão evangélico brasileiro figuras do porte de Sérgio Pimenta, com o Grupo Semente, em São Paulo; Quarteto Vida, em Belo Horizonte; e, no Distrito Federal, anos mais tarde, um jovem autodidata, Joel Barbosa, que vai se tornar o maestro da Orquestra Cristã de Brasília. O fim dos anos 80 corre com  certa efervescência musical no meio evangélico da cidade. Ao mesmo tempo em que Denize cultiva a influência do Dr. Albano e seus grupos corais, como “Mensageiro da Paz” e “Coro Jovem"  da Igreja Memorial Batista, os jovens trocam figurinhas aqui e ali, além de formarem grupos, principalmente vocais, apresentando composições próprias ou arranjos novos para antigas canções. Denize participa desse rodízio, cantando num trio formado por Rodrigo Bueno, participando das “cantorias” na Igreja Memorial Batista e das serenatas de acampamentos. Nessa altura, como pianista, já começa a substituir as tradicionais partituras por leituras de acordes cifrados. Em 1986, surge o grupo Cântaro, do qual ela vem fazer parte na primeira fase (o grupo passou por umas três). Nesse período, já conhecia o Marco, com quem vai se casar em 89. Marco e Denize formam uma interação imperdível de “voz-violão-piano-arranjo”, algo indescritível, inseparável. Surge o grupo Cantares, onde essa tétrade vai se expressar de forma marcante para os felizardos que conseguem ouvir as apresentações do grupo em Brasília e Anápolis. Com o fim do Cântaro (no início de 91) e do Cantares (92), surgem Zazo e Doca, amigos antigos, que chamam Denize para um trio cujo único objetivo é o de atender a uma necessidade específica: cantar num casamento. Os três chegam a se apresentar “uma vez na vida outra na morte”, isto é, sempre no casamento de alguém. A composição de sempre é “A Quarta Estação” (música de Zazo e letra de Raul Jr). Tudo isso é material para o que ainda está por vir anos mais tarde. Em 1997, com a entrada de Marco no vocal do antigo “trio esporádico”, temos o rascunho básico do Céu na Boca.